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Joan Ferraté nasceu em Reus (Catalunha), em 1924, e morreu em Barcelona em 2003. Licenciou-se em Filologia Clássica pela Universidade de Barcelona (1953), aspecto que se fará presente em seus poemas que dialogam com autores da antiguidade. Durante os anos 50, decidiu se exilar em Cuba, onde ensinou línguas clássicas na Universidade de Oriente, e entre 1962 e sua jubilação em 1985 continuou o seu exílio na Universidade de Alberta, em Edmonton (Canadá), onde ensinou literatura comparada. É autor de diversos ensaios e estudos de teoria e crítica literárias, dentre os quais se destacam os artigos reunidos em Dinámica de la poesía: Ensayos de explicación, 1952-1966 (1968 e 1982) e uma interpretação inovadora de The waste land: Lectura de «La terra gastada», de T. S. Eliot (1977). Editou a obra completa de Ausiàs March: Les poesies d'Ausiàs March: Introducció i text revisat (1979) e Les poesies de C. P. Cavafis (1987). Seus artigos mais recentes estão em dois livros: Provocacions (1989) e Apunts en net (1991).
Os 2 principais livros de poesia que publicou são Les taules de Marduk i altres coses (Bacelona: Proa, 1970), e Llibre de Daniel (Barcelona: La Gaya Ciencia, 1976), onde se encontram os 2 poemas que traduzimos. Sua poesia foi reunida em Catáleg general 1952-1981 (Barcelona: Edicions dels Quaderns Crema, 1987), que contém os dois livros anteriores e ainda alguns dispersos. Poeta iconoclasta e irônico, que, por exemplo, intitula uma das seções de Les taules de Marduk de ‘‘Plágios, traduções e imitações’’, e no Llibe de Daniel assume abertamente o amor homossexual, como os poemas que traduzimos atestam. A sua maneira de fazer poesia fica muito bem resumida nestas palavras de Salvador Oliva: ‘‘Com uma linguagem menos poética que a maioria dos seus coetâneos, é, em meu entendimento, um dos melhores entre todos os nossos contemporâneos: a língua é tensa, sem rugas que façam feio. As vozes que aí falam não comungam nunca com rodas de moinho. Os temas são vigorosos. E em todos os versos passa a eletricidade de uma intensa energia moral.’’
Apesar disso, o silêncio com que a grande maioria dos meios de comunicação receberam a notícia de sua morte foi tristemente atordoante. É que, desgraçadamente, como escreveu Jordi Llovet em um artigo in memoriam, ‘‘não se pode dizer que, com o desaparecimento de Joan Ferraté, a Catalunha tenha perdido um dos seus melhores críticos e teóricos da literatura do século XX, e isso pelo fato elementar de que a Catalunha, ou os factótuns críticos literários do país, nunca se apropriaram do enorme valor da obra de Joan Ferraté’’. No Brasil, a revista Sibila (ano 4. n. 6, p. 167-172, maio 2004) publicou de Joan Ferraté o poema ‘‘Poesia i gramàtica’’, traduzido por nós.
Ronald Polito e Josep Domènech Ponsatí
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El paradís devastat O paraíso devastado
Ménage à quatre Ménage à quatre
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