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Poeta, artista, fotógrafa, cineasta, audiodesigner, intérprete, tudo isso e nada disso ao mesmo tempo, a obra de Betty Leirner habita os interstícios. Onde quer que ela se instale – ou melhor, por onde quer que transite – implode categorias, gêneros, identidades e rótulos. Para caracterizá-la, qualquer nomenclatura seria excessiva, asfixiando o admirável comedimento oriental e a natureza plurifacetada e nômade de sua obra. Um nomadismo que marca não apenas a obra, mas sobretudo, a existência humana da artista.
Brasileira, radicada, há muitos anos na Europa, Betty elaborou, conforme segue abaixo, uma lista de condições indicadoras de seu crescente desprendimento de gêneros estéticos específicos, desprendimento levado a conseqüências tão radicais que acabou por impregnar sua própria vida de artista com múltiplas nacionalidades, terminando pela eleição de uma zona não-territorial para viver, ao instalar, em 2002, seu atelier em Basel, na região das três fronteiras: Suiça, Alemanha e França.
nomadismo e paragens
Em 1978, no Museu de Arte de São Paulo, exibiu seus squares of light, no limiar entre fotografia e filme. Em 1987, no Museu de Arte Contemporânea de São Paulo, foi curadora da exposição Palavra Imágica, promovendo as intersecções entre palavra e imagem. Em 1990, terminou seu quase-livro, anti-livro plurilíngüe e transparente les êtres lettres, em uma língua de ninguém e de lugar nenhum. Em 1994, foi reconhecida enquanto artista alemã pelas autoridades germânicas. Em 1995, apresentou o texto nowhereland is our commonland (a terra de lugar nenhum/a terra do aqui e agora é a nossa terra em comum) na exposição Configura, em Erfurt. O evento agregava artistas e curadores dos países considerados pelos organizadores como “berços da civilização contemporânea”: Brasil, China, Grécia, Índia, México, Nigéria, Rússia e Estados Unidos. Do Brasil, participaram, entre outros, Tunga, Antonio Dias, Antonio Manoel. Dos outros países, artistas também proeminentes estavam presentes. Nessa ocasião, pela primeira vez, como artista, Betty Leirner aceitou representar o Brasil em uma exposição. Em 1997, participou da exposição La Suisse ailleurs, autrement (A Suiça em outro lugar, de outra maneira), no Centre Saint Gervais pour l’Image Contemporain, em Genève, quando recebeu menção ao prêmio Michael Jordi, por com uma versão fotográfico-textual da obra couleur incolore.
As fotos eram prints de um filme feito durante uma visita anterior a Genève, quando fez um breve passeio de barco no rio Rhône. A escolha estética toca nessa obra, ao mesmo tempo, a repetição e a mutação, lembrando que a repetição pode ser considerada enquanto individualização de passagem. Os filmprints das águas estavam configurados em quatro quadros, contendo cada um quatro filmprints diferentes entre si, e cada print continha 16 fotogramas iguais de uma mesma imagem da água do Rhône. Essas fotos permitiram-lhe comparar a água ao processo fotográfico da aparição e desaparição. O texto da artista que acompanhava a exposição, evoca a identidade e não identidade do rio em uma Suiça que existe e que não existe, uma Suiça “em outro lugar, de outra maneira”.
Ainda em 1997, na Literaturhaus de Hamburgo, no Simpósio Orte und nicht Orte (Lugar e não-lugar) apresentou seu poema-instalação Vorstellung eines Satzes (Possibilidade de Enunciado), uma obra-poema que tematizava o lugar não-lugar da palavra (W’Ort).
das wort wohnt im hierdort wo wedernoch ist antwort
zirkulär in seiner funktion
quadratisch in seiner darstellung
seine mitte abwesenheit
terra incognita
(a palavra habita no aqui-acolá onde o isto-aquilo é resposta
circular em sua função
quadrada em sua representação
seu centro ausência
terra incógnita)
Em 1998, na Haus der Kulturen der Welt (Casa das Culturas do Mundo), em Berlin, no fechamento do ciclo Europa Neu Denken (Repensar a Europa), apresentou, pela primeira vez, uma leitura do poema multilíngüe placenta writing e um videopoema com tomadas de nowhereland-Palestina. Em 1999, participou como poeta alemã na exposição Haiku and Tanka Japanese and German poetry, no Museu de Poesia Contemporânea, em Kitakami, Japão. Em 2000, no Instituto Goethe de Osaka e Kyoto, na província de Kansai, apresentou filmes e prints, de Nowhereland, Japan. No Ludwig Forum für Internationale Kunst, em Aachen, também em 2000, na exposição Continental Shift (Deslocamento Continental) participou com trabalhos enquanto artista brasileira e japonesa. Ainda nesse ano, Betty Leirner apropriou-se de um espaço dentro do Museum für Völkerkunde,(Museu de Etnologia) de Hamburgo, apresentando, durante o ano do Japão na Alemanha, suas Prints. Ao mesmo tempo, a convite da Cinemateca de Hamburgo fez duas noites de apresentações de videofilmes, Nowhereland, Japan e D.J. d’Images. Nessa ocasião, põe em prática o conceito de Splace (espaço/localização), utilizando concomitantemente mais do que um espaço de apresentação. Em 2001, sob o título de Splace, expôs ‘episódios de geografia subjetiva’, no Paço das Artes, em São Paulo. Em 2002, no Ludwig Forum für Internationale Kunst, em Aachen, apresentou por dois meses o filme Political Mistakes, Mistérios Políticos, na tradução da autora. Esse mesmo filme foi apropriadamente reapresentado, em 2004, na exposição hiper > relações eletro//digitais, com a curadoria de Vitoria Daniela Bousso, no Santander Cultural de Porto Alegre.
Desde 2002, deixou Hamburgo para se instalar na região das três fronteiras. É aceita como artista suiça na Associação das Artistas Plásticas da Suiça. Adquire o endereço www.nowhereland.ch na internet. Nomeia nowhereland o espaço aonde vive, em cima do Museum für Textil Geschichte (Museu de História Textil) em Weil am Rhein que sintomaticamente quer dizer “pois é, no Reno” ou “estar no Reno”. O lugar escolhido para sua moradia é simbólico e emblemático da aterritorialidade assumida enquanto existência. A Suiça é o coração lingüístico da Europa e a localização de Basel coincide com a intersecção de três países. Além disso, a Suiça não pertence à comunidade européia e seu tamanho é diminuto frente aos países vizinhos. Ademais, os dois cantões de Basel, Basel Stadt e Basel Land tem por iniciais BS e BL. Um dos símbolos da cidade de Basel é o Basilisk, espécie de dragão fênix cujas fontes d’água espalham-se pela cidade. Em Basel Stat, situa-se, em parceria com Florian Kutzli, o estúdio de nome Landscape que tem por vizinho a duana suiça. Esta, por sua vez, está situada em um espaço não territorial, de confluência política.
fronteiras líquidas
Um marco definitivo nessa trajetória de desterritorialização crescente surgiu, sem dúvida, quando Betty Leirner participou, em 1995, do Projeto Configura 2, Dialog der Kulturen (Diálogo de culturas), em Erfurt. No catálogo desta exposição, sob o título de Die Frage – 40 Antworten (A pergunta – 40 respostas), os organizadores formularam perguntas sobre a condição da arte e do artista e 40 artistas foram convidados a respondê-las.
O texto apresentado pela artista, posteriormente publicado no volume 2 do Configura Projekt, tinha como título nowhereland is our commonland. Esse texto apresenta um estranho subtítulo: Recormon, rekombinantes humanes. Trata-se de mots-trouvés (palavras encontradas ao acaso), nome de um remédio utilizado na psiquiatria, que impressionou a artista pela afinidade com o tema da exposição. Neste, Betty Leirner formulou um depoimento poético contra o cinismo político das propagandas patriótico-nacionalistas e em pról do diálogo de culturas informal e plurilingüístico que é propiciado pelas “multi-influências que os cérebros nativos recebem e a elas respondem numa miríade de formas”. The tongue has always been the mother of fatherland (A língua sempre foi a mãe da terra pátria), diz a artista, comprovando a convicção, que existe na psicanálise, de que artistas e poetas sabem dos mistérios do inconsciente, mesmo sem saber que sabem. No caso de Betty, a certeza vem do saber poético introjetado na matéria vertente de sua vida. Como está expresso no seu filmpoema Märchen, o arquétipo feminino ‘Sempre’ – ao matar-se, pela falta, porque ‘Nunca’, o arquétipo masculino, lhe deu sempre nunca – renasce em língua materna.
Suficientemente corajosa e ousada ao abandonar o dito de Fernando Pessoa, que Caetano Veloso popularizou no Brasil, “minha pátria é minha língua”, na nowhereland, terra incógnita de Betty Leirner, a confluência poética das línguas é o ponto de encontro, a terra comum em que os poetas se irmanam. “Betty Leirner wurde in Brasilien geboren und lebt in der Poesie” (Betty Leirner nasceu no Brasil e vive na poesia) escreveu a jornalista Bettina Salomon, no seu artigo de página inteira do jornal Die Welt de Hamburgo, a respeito da exposição da artista no Museum Für Voelkerkunde. O título do artigo era: Nippon wo liegt es? Eine Ausstellung von Betty Leirner, behauptet: vor allem in unseren Köpfen (Japão, aonde se situa? Uma exposição de Betty Leirner afirma: sobretudo em nossas cabeças). De fato, como quer a artista, seu Splace é um lugar migrante no espaço que emerge com intermitência nas geografias subjetivas da criação.
Conforme foi enfatizado por Hajo Schiff, em dezembro de 2000, no texto de apresentação da artista para a exposição Prints no Museum für Völkerkunde, e para os videofilmes Nowhereland, Japan, na cinemateca, ambos em Hamburgo, – Now-where-land igualmente se lê Now-here-land (a terra do aqui/agora). Ademais, dentro da palavra land está contida a preposição and, o e da continuidade e do não-pertencimento. De fato, as terras comuns são as terras aterritorializadas do nomadismo, que nascem no aqui e agora em que a criação fala mais alto. Sim, fala mais alto, porque, quando são capazes de levar à frente o projeto humano dos sentidos humanos, as criações não têm lugares e pátrias definidas. Elas são incorporadas ao acervo comum da espécie humana.
Outro marco do nomadismo da poética de Betty Leirner encontra-se no mais legítimo hibridismo ocidente-oriente alcançado pela incorporação
definitiva da alma oriental de que sua obra sempre esteve congenitamente
impregnada. Em 1999, realizando um sonho antigo, foi convidada como poeta
alemã para participar de uma exposição de poesia alemã e japonesa no único museu do Japão dedicado à poesia contemporânea e à Tanka e Haiku, na cidade de Kitakami. Viajando de trem, de ônibus, de bicicleta e a pé pelo país, durante oito semanas, fez um roteiro de templos e Onsens, estações de água. Com sua câmera HI8, utilizou dez fitas de 90 minutos. No ano seguinte, novamente convidada em função de seus trabalhos, nos Institutos Goethe de Kyoto e de Osaka, apresentou filmes do Japão para os japoneses.
Mais um indicador preciso de sua estética aterritorial encontra-se na variedade de lugares em que apresentou suas obras e nas trocas que realizou, trocas por vezes até mesmo insólitas, dos espaços que os rótulos artísticos convencionais reservam para os diferentes gêneros de arte. Betty Leirner nunca deixou por menos: sua subversão de gêneros atinge a subversão de espaços. Por isso mesmo, apresentou poesia em museus e filmes em casas de literatura. Isso porque, a rigor, nunca se sabe muito ao certo em que categoria cada uma de suas obras pode ser enquadrada. Desde sua estréia como artista, desenquadrava-se – e, daí para a frente, cada vez mais --, ao desenquadrar a fotografia fundindo-a com filme, por meio da produção de imagens que transpassavam os limites do enquadramento das tiras de negativo, estendendo-se através do filme fotográfico.
Não menos variados são os lugares do mundo em que apresentou seus inúmeros filmes. Em cada lugar que os exibe, faz uma seleção cuja montagem, a cada apresentação, está intimamente relacionada com o espaço em que são exibidos. Chama essas seqüências ad hoc de Compilations. Mais uma vez, encontra-se aqui uma estratégia da artista para se manter fiel ao que foge, escapa, escorrega entre o espaço e o tempo, os sentidos e as sensações. Como bem lembrou Thomas Tode, na apresentação que fez dos filmpoemas da artista:
"Se quisermos ressaltar o fugaz de um mundo que se esvai, o trabalho com a mídia filme parece uma contradição: o filme salva os fatos. Um filme rodado nunca mais altera o que ele apreendeu. Betty Leirner parece ter encontrado um antídoto: a compilação. A cada apresentação, ela mostra seus mini-filmes (a maioria com 2 ou 7 minutos), escolhe-os, procura novas combinações e oposições entre cada módulo. Conforme Betty Leirner, seus filmes podem ser descritos como um fluxo de imagens, como um contexto de imagens, separadas somente pelos momentos de empalidecimento da tela. Esse método de compilações é definido em tais oportunidades e no local de projeção. Isso evita que um sistema se feche. Assim como o leite que se coalha, todas as partes se movimentam em novas constelações. Um vídeo-ensaísta é um navegador em águas incertas. Ele coloca ordem nas diversas constelações até que, das interferências causadas por elas, atinja-se uma escrita legível."
Também diversos são os lugares que Betty Leirner gravou com sua câmera. O plurilingüismo que aparece em sua poética, reaparece na ubiqüidade de seus vídeos, Hamburgo, Áustria, Londres, Colônia, São Paulo, Pantanal matogrossense, Côte d’Ázur, Ariège, Israel, Jordânia, Mar Vermelho, Hiroshima, Kyoto, Nara, Rio de Janeiro. Seus vídeos que não podem ser bem compreendidos se não se levar em conta o olhar de respeito à dignidade antropológica da diferença – sob a qual a artista enxerga semelhanças – que a câmera expõe junto com as imagens que grava. Isso fica patente em um trecho da entrevista sobre sua obra Political Mistakes/Mistérios Políticos, que foi concedida a Juliana Monachesi e publicada em 14 de julho-2004, no Canal Contemporâneo:
Quando filmo pessoas, busco deixar passar as expressões e os sentimentos sem palavras através das imagens fixas para depois encaixá-las enquanto seqüências do filme, utilizando o pensamento silencioso e aberto dos atores, que no caso são todos incidentais, para criar um trabalho subjetivo. A câmera não cala, a câmera observa e capta de maneira quase neutra, para deixar que o sujeito, no caso o protagonista, desenvolva seu pensamento sem desvios provocados pela distração que os movimentos de câmera poderiam produzir.
Esse vídeofilme Political Mistakes/Mistérios Políticos é uma obra paradigmática para se compreender a estética transterritorial de Betty Leirner. Filmado em 1998, em Israel e Jordânia, tem por cenário de fundo o conflito Oriente Médio. A obra mistura, tanto na fala quanto nas letras, cinco línguas: o hebraico, o árabe, o japonês o iidiche e o inglês. Segundo o depoimento da artista, o árabe e o hebraico foram escolhidos por serem as principais línguas através das quais o conflito se processa. “O iídiche entra enquanto língua híbrida e nômade, e o japonês enquanto a língua incógnita, a língua que representa o estrangeiro, o desconhecido; o inglês aparece enquanto denominador comum. Para quem entende japonês, quem sabe seja o iídiche a língua incógnita? Para quem não entende nenhuma destas línguas, a música aparece enquanto a língua de Babel”.
A presença das palavras no filme é dominante. Em seu depoimento, Betty diz que as palavras aparecem em seus filmes “primeiramente enquanto elemento da paisagem, filhas da imagem e do som. Por vezes, as palavras propõem as imagens e traduzem ou modificam os sons”. Em Political Mistakes, as palavras têm uma função adicional: “configurar um esqueleto poético que sustenta e conduz a relação entre as diversas linguagens (musical, imagética e de sentido), propondo desta maneira uma colocação sugestiva a respeito do conflito, através do fato de contrastar palavras diversas que querem dizer a mesma coisa”.
A tese defendida pela artista nesse seu ensaio videográfico é a de que as diferenças religiosas não são, como querem muitos, o elemento mais paralisante das questões israelo-palestinas, mas sim as semelhanças percebidas enquanto diferenças e principalmente a instrumentalização do conflito pelos atuais dirigentes dos dois povos irmãos. Essa tese, expressa poeticamente, no contraste entre palavras que querem dizer a mesma coisa, mas que são distintas em cada língua, está encarnada em excertos do poema-esqueleto abaixo que guia a configuração do vídeo:
translator
ar. : moutargin
hebr. : turgeman
yidd. : dolmetscher
jap. : tsuuyaku
question
ar. : soual
hebr. : scheelah
yidd. : kasche
jap. : shitsumon
root
ar. : gizr
hebr. : schoresch
yidd. : vortsel
jap. : ne
Essas são palavras-chave para se compreender o nomadismo
lingüístico, poético, artístico, existencial,
enfim, a estética transterritorial de Betty Leirner que se encarnou
na vida e de que Political Mistakes é um exemplar sensível.
Nessa poética, Space desdobra-se em Splace, uma
característica de Nowhereland onde diferença e semelhança
não existem. Segundo a artista, Nowhereland é a palavra
que, nos últimos anos, vem tingindo sua vida com a cor incolor da
transparência, de um corpo volátil, sem pouso: “assim
como a cor incolor, o lugar-não-lugar brota aonde a utopia é o
espaço de localização”. Em uma congruência
visceral, os traços de sua obra penetraram em sua própria
existência, ou vice-versa, de modo indissociável. Por isso
mesmo, viver na região tri-rena é, acima de tudo, uma escolha
simbólica, uma decisão moral de fidelidade poética à vida-obra.
Aí não se trata apenas de uma região fronteiriça,
mas de uma fronteira líquida. Não poderia haver na Europa
um lugar mais sem lugar do que esse. Nele, as fronteiras da França,
Alemanha e Suiça encontram-se nas águas do Reno, uma fronteira
movediça, feita de água corrente, sem demarcação
precisa, sem identidade específica. Além disso, trata-se do
encontro dos países da nova comunidade com a confederação
helvética dos cantões suiços, que está fora
da comunidade e paradoxalmente no centro geopolítico da Europa.
Enfim, não é apenas a obra de Betty Leirner que transita, sem bordas definidas, pelos limiares além e aquém da arte. Sua própria vida é uma encarnação poética da obra, emblemática da penetração indissolúvel e eticamente admirável entre vida e obra, em uma existência que, sem cessar, transmuta-se, ela também, em experiência estética.
foto: Florian Kutzli
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